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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A Bola da Sorte - Parte 2



Sem a Gorducha


O campo de terra batida onde preferiam jogar estava uma lama pura. Optaram por jogar no beco dos gatos; local geralmente repleto de sacos de lixo e reduto dos gatos do bairro, que usavam o beco como lar, protegidos da chuva e do Sol; tinham ainda farto suprimento de comida, era só rasgarem os sacos de lixo e se servirem.

Mas às terças o beco geralmente estava limpo. As coletas de lixo eram feitas três vezes por semana –às segundas, quartas e sextas à noite- e os moradores costumavam por seus sacos de lixos para fora apenas poucas horas antes da coleta ser feita. Isso reduzia os danos que os gatos causavam aos sacos, e a sujeira advinda desse “vandalismo”.

As traves ficavam encostadas na parede. Era só move-las e fixa-las nos sulcos cavados no chão para esse propósito, e sempre zelados para sua serventia. Em minutos o campo estava pronto, era só começarem a jogar.

Estavam animados! A partida ainda sem gols seguia disputada, com chances reais mas não convertidas para cada lado. Embora fosse uma partida entre eles mesmos, jogavam concentrados, sabiam que precisariam de todo treino e entrosamento que pudessem ter até o começo do Intercolegiais.

Contavam agora com a presença de Preto, Faísca, Dunga, Potter e Goiaba - ultimamente vinham se dedicando mais aos confrontos por vídeo-games, mas o apelo do torneio os reuniu novamente- todos vizinhos e da mesma escola. Havia também o primo do Goiaba, o Zé - era o único “estrangeiro” do time; morava em outro bairro e estudava em outro colégio.

O Zé não poderia jogar no Intercolegiais pelo time, mesmo assim treinava com o grupo; era o outro goleiro.

Preto após uma jogada de corpo se livrou da primeira marcação, e após tabelar com Potter recebeu; driblou, e emendou um “bicaço”, direto pro gol!

A bola bateu forte no ângulo direito de Passos, que se esticara todo; mas incapaz de voar não pôde senão dar um pequeno toque com as pontas dos dedos na bola. Suficiente para desviar a bola contra a trave!

Fez-se um estrondo enorme! A bola ao colidir com a trave acertara em cheio uns dos pregos usados para prender a rede à trave. A bola estourou na hora! O jogo havia terminado.

Preto se desculpou, embora não tivesse tido culpa alguma.

- A bola já não era aquela coisa, os caras botam os pregos pra frente da trave, tavam pedindo por isso – Desabafou.

O problema é que era a única bola que tinham! Como iriam poder treinar de agora em diante? Além disso, cada time era obrigado a levar uma bola em cada partida do Intercolegiais, o que fariam?

(Continua)

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